As pessoas mudam?
- Simone Demolinari
- 13 de jul. de 2018
- 2 min de leitura
Muitos questionam a capacidade de mudar das pessoas, sobretudo quando estão em via de dar uma segunda chance a quem errou. Nessa ora fica o impasse: acreditar que é possível mudar ou desistir dessa possibilidade? Essa dúvida tem lá suas razões; sabemos de pessoas que realmente mudaram e surpreenderam com seu novo jeito de ser, enquanto outras, mesmo desejando fortemente, fracassam e voltam a cometer os mesmos erros. Isso ocorre porque mudar não é fácil. Nosso comportamento está alicerçado em crenças (convicções) e quando tentamos mudar, precisamos ir além da ação, precisamos mudar especialmente a forma de pensar. Podemos comprar nosso jeito de ser à uma pirâmide, onde o topo (a parte menor) significa a nossa forma de agir e a base (a parte maior) significa nossas convicções. Dessa forma, só conseguiremos mudar o comportamento se mudarmos as convicções nas quais eles estão alicerçados. Por exemplo: uma pessoa regida pela crença de que levar vantagem sobre o outro é bom, dificilmente terá conduta justa em sua vida. Mesmo sabendo que determinado ato não é correto, não é suficiente. A base da convicção é maior. A crença a protege e ela continuará fazendo aquilo sem nenhum constrangimento. Em alguns casos até acreditando que sua ação é benéfica. Nossas convicções funcionam como uma espécie de consciência: se eu ajo de acordo com elas, me sinto em harmonia. Mesmo que eu esteja notoriamente fazendo algo errado. Isso explica a lógica paradoxal do matador de aluguel que após a execução, vai à missa rezar pelo defunto. Muitos gostam de dizer que as pessoas só mudam quando experimentam perda ou dor. Mas isso não é regra. Se não houver a mudança da convicção original, não haverá mudança de comportamento. Ou haverá por um tempo determinado. É o que chamo de mudança estratégica: aquela que dura apenas o tempo do susto. Alias, o processo de mudança é algo tão complicado, que deveríamos desconfiar daqueles que dizem que mudaram pois a “ficha caiu”. Sim, a ficha cai rápido, porém, o processo de mudança é longo, passa pela privação, humildade e força de vontade. Na minha profissão recebo muitos emails pedindo ajuda em relação ao processo de mudança. É curioso perceber que a maioria desses pedidos é direcionado a alguém: pai, mãe, cônjuge, ou seja, uma pessoa querendo a mudança da outra. Ao contrário do que muitos pensam, lutar pela mudança de alguém que não almeja a própria mudança, não é um ato de amor; muitas vezes revela uma personalidade controladora. E controle adoece. Quando analisamos a causa da depressão de algumas pessoas, não raramente, percebemos que está ligada ao desejo de controlar o incontrolável: quando quero mudar aquilo que não está no meu controle, despendo tenta energia psíquica que entro em colapso. Aceitar que eu não podemos mudar o outro, é um grande passo para começar a mudar a mim mesmo.




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