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Ilusões que geram desilusões

  • Foto do escritor: Simone Demolinari
    Simone Demolinari
  • 22 de mar. de 2019
  • 2 min de leitura

Frequentemente ouço pessoas se dizendo frustradas com a própria vida. Sentem-se imersas na rotina dos dias, achando aquilo uma mesmice entediante. Pensam que enquanto os “outros” têm uma vida interessante e agitada, a delas é pacata e sem graça.

A verdade é que boa parte dessa frustração deriva das ilusões. Pensamentos idílicos e românticos que não correspondem ao que é a vida realmente. Alguns exemplos:

– A vida perfeita das redes sociais: É incrível como uma imagem ainda engana tanto as pessoas e afeta nosso sistema de cobiça. Passamos a desejar aquele amor perfeito, glamour, a família “margarina”, o equilíbrio emocional, a paz vendida na fotografia em posição de lótus, etc. Ocorre que o que é postado não necessariamente é praticado e, a partir daquilo que vemos, criamos um parâmetro de comparação. Quando olhamos para nossa vida e não temos aquele mundo ideal, sentimos uma grande frustração.

– A ilusão do consumo: O mercado publicitário cria um pensamento de consumo onde passamos a acreditar que determinado item (geralmente um produto desnecessário) é imprescindível para nossa vida. Acabam nos vendendo ilusões que deságuam em grandes desilusões e dívidas.

– A grama verde do vizinho: Uma grande fonte de sofrimento deriva da comparação. Não existe lado bom: se eu me comparo ao outro e me sinto inferior, há sofrimento e sentimento de inveja. Se me sinto superior, isso reforça em mim a vaidade e o orgulho. Sem contar que sempre precisaremos que o outro fique pior para nos sentirmos melhor. A forma saudável de comparação é aquela que fazemos conosco: “hoje estou melhor que dois anos atrás?”. Se a resposta for não, precisamos avançar rumo àquilo que desejamos.

– Pegar atalhos: A curva do sucesso depende de uma rota a ser seguida. Pegar um desvio, num primeiro momento, pode parecer vantajoso, mas em pouco tempo já sentimos o prejuízo. Atalhos são mentiras que nos fazem acreditar que somos muito espertos, quando na verdade estamos trapaceando a nós próprios.

– Querer controlar a vida: Mal conseguimos controlar nossos pensamentos, mas, mesmo assim, temos a pretensão de controlar a tudo e a todos. A verdade é que isso não passa de uma ilusão. Conseguimos atuar apenas no nosso campo de abrangência e olhe lá. Nosso campo de controle é parecido com o de um telefone celular que entra na internet mas não controla a web.

– Esperar o ânimo para tomar a decisão: Aguardar uma fonte externa inspiradora é o mesmo que esperar por algo que nunca virá. É produzindo que estimulamos a motivação. É o processo de redação que inspira o escritor.

– Sentir-se preparado para começar algo: A sensação de que não estamos prontos o suficiente sempre irá existir, sobretudo para os mais autocríticos. No fundo, isso não passa de um medo. Geralmente medo do fracasso. Enfrentá-lo se faz necessário. Ao contrário do que diz o ditado, o mundo não é dos espertos, e sim dos destemidos.

 
 
 

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Psicoterapeuta com formação em Psicanálise Clínica e Mestrado com linha de pesquisa em Anomalia Comportamental pelo ISCTE / Fundação Getulio Vargas.
Articulista do Jornal Hoje em Dia e Revista Exclusive.
Desde 2010 está no ar diariamente na rádio 102,9 FM; e desde 2014 semanalmente na 98 FM falando sobre comportamento.

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