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Quando não me sinto bom o suficiente

4 de abr. de 2019
2 min de leitura

Algumas pessoas, mesmo sendo notoriamente inteligentes, experientes e capazes, têm uma percepção distorcida de si mesmos. Uma falsa imagem que a julga inferior ao que é: “não sou nem a metade do que as pessoas pensam que sou”. A esse tipo de sentimento se dá o nome de “Síndrome do Impostor”.

Os que sofrem deste problema mantém forte consciência de que são uma farsa e estão enganando todo mundo. Não importa quão reconhecida seja sua carreira profissional, ela sempre terá a sensação de ser um blefe, atribuindo seu sucesso ao acaso.

Essa síndrome se popularizou depois que Emma Watson, uma das grandes estrelas de Harry Potter, declarou o que sentia: “Parece que quanto melhor eu me saio, maior é o meu sentimento de inadequação, porque penso que em algum momento, alguém vai descobrir que eu sou uma farsa e que eu não mereço nada do que conquistei”.

Outra famosa que assumiu ter o mesmo problema foi a premiadíssima atriz inglesa Kate Winslet: “Eu acordava de manhã, antes de ir para uma gravação, e pensava ‘não posso fazer isso. Eu sou uma fraude’”.

Na síndrome do impostor não importa a notoriedade do trabalho, os elogios da crítica especializada ou até mesmo os troféus e títulos conquistados, a angústia é interna e deriva do fato de, no íntimo, o indivíduo não conseguir reconhecer-se digno dos seus próprios méritos. Uma lástima!

É importante ressaltar que, apesar da maior manifestação do problema ser no campo profissional, também se estende para a vida pessoal e amorosa. Nesse contexto, o indivíduo tende a se inferiorizar perante uma situação ou outra pessoa como se não fosse digno de merecimento.

Alguns comportamentos são comuns em quem tem essa síndrome:

- Sentir que outra pessoa com as mesmas habilidades está mais qualificado; - Proferir discursos autodepreciativos; - Dificuldade em aceitar elogios por não acreditar no que é dito; - Evitar situações onde é colocado no centro das atenções; - Necessidade constante de reavaliar o próprio trabalho; - Perfeccionismo extremo a ponto de sofrer com o mínimo detalhe; - Autopunição severa ao constatar um erro; - Medo de encarar novos desafios acreditando não ser capaz; - Usar o carisma e a simpatia para aumentar sua significância; - Querer agradar todo mundo; - Tendência a tornar-se um workaholic para compensar a suposta inaptidão; - Reação desproporcional perante uma crítica (sente-se arrasado); - Sensação de inadequação ou não pertencimento; - Medo de se expor; - Comparação constante com os outros; - Adiar ao máximo as tarefas tentando evitar o momento de ser avaliado; - Medo constante de que os outros percebam a sua incapacidade (uma espécie de medo de ser descoberto).

 
 
 

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Psicoterapeuta com formação em Psicanálise Clínica e Mestrado com linha de pesquisa em Anomalia Comportamental pelo ISCTE / Fundação Getulio Vargas.
Articulista do Jornal Hoje em Dia e Revista Exclusive.
Desde 2010 está no ar diariamente na rádio 102,9 FM; e desde 2014 semanalmente na 98 FM falando sobre comportamento.

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