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Perguntas mais frequentes feitas na terapia

6 de jun. de 2019
2 min de leitura

1- As pessoas mudam? Há uma citação freudiana da qual gosto muito que diz: “quando a dor é maior que o ganho, o indivíduo muda”. A frase requer reflexão. O “ganho” citado não é evidente em primeiro plano. É o famoso “ganho secundário”. Um bom exemplo é aquela pessoa que afirma estar insatisfeita com seu peso, mas não faz a dieta. Nesse caso, o prazer de comer é maior que o desprazer de estar acima do peso. Essa exemplo é válido tanto para dieta quanto para comportamento. 2- Como ser menos emocional e mais racional? Um bom começo é um mergulho honesto em si, possibilitando o autoconhecimento. Se conhecer inclui ter consciência dos próprios limites, fragilidades, forças, mecanismos de autossabotagem e autoengano. Através desse mapeamento é possível criar mecanismos para ser menos reativo e mais equânime frente às adversidades da vida. 3- O egoísmo melhora ou piora com o tempo? Geralmente piora. Mas não piora sozinho. Piora com a contribuição dos generosos que sempre dão mais do que recebem e acabam estimulando o egoísmo do egoísta. Se a fonte não secar, a tendência é só piorar. 4- Existe forma de aumentar a concentração? A melhor forma de otimizar algo é fechando o desperdício. No caso da distração, o vilão da atualidade é o telefone celular. Estudos recentes mostram que após a chegada dos smartphones, nossa capacidade de concentração diminuiu consideravelmente, estando atualmente entre 3 a 5 minutos. Além disso, qualquer estímulo que disperse a mente está a serviço da distração, um caminho oposto ao da concentração. 5- Ansiedade tem cura? Para mudar um comportamento tão destrutivo quanto a ansiedade não basta querer. É preciso caminhar na direção diametralmente oposta ao que se está acostumado. Coisa a que nem todos estão dispostos. Isso significa: parar de tentar controlar a tudo e a todos, desenvolver a mansidão, humildade, ser menos crítico, mais sereno e aceitar com docilidade situações que vão além da nossa vontade. 6- Existe alguém plenamente feliz? Podemos definir felicidade como um profundo estado de bem estar. Um sentimento vivenciado para “dentro”; no mundo interior. Tem a ver com serenidade e sensação de paz. É algo íntimo, nem sempre percebido aos olhares alheios. Já a alegria é diferente, é um fenômeno que ocorre para “fora”; tem a ver com euforia. É visivelmente perceptível. Mas nem tudo que reluz é ouro. Podemos encontrar pessoas alegres, porém internamente infelizes. 7- Existem formas de prevenir depressão? As razões para desencadear um quadro depressivo são inúmeras e variam de pessoa para pessoa. Apesar de ser uma doença muito complexa, podemos avaliar os aspectos psicológicos através do próprio nome: de - pressão. Ou seja, uma pressão superior ao que o indivíduo consegue suportar. É preciso refletir o que está em desalinho, e algumas perguntas podem ajudar: – Estou apegado a algo que preciso deixar ir? – Estou me espremendo para caber num molde que não é meu? – Estou me violentando através de alguma conduta? – Estou suportando dor evitável? – Estou negligenciando meus interesses em prol dos interesses alheios?

 
 
 

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Psicoterapeuta com formação em Psicanálise Clínica e Mestrado com linha de pesquisa em Anomalia Comportamental pelo ISCTE / Fundação Getulio Vargas.
Articulista do Jornal Hoje em Dia e Revista Exclusive.
Desde 2010 está no ar diariamente na rádio 102,9 FM; e desde 2014 semanalmente na 98 FM falando sobre comportamento.

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